quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Página 27

- O que faremos agora? Como vamos explicar a todos lá em casa? Vamos dizer; mamãe, pessoal, por curiosidade, fomos à Casa dos Horrores, e lá, encontramos um livro, um Grimório, que nos levou a uma terra mágica, onde habitam goblins e onde mora um terrível feiticeiro chamado Gandon que quer capturar todos os humanos que estiverem caminhando à toa pela Floresta de Trion – cantarolava Eduardo, recebendo um safanão do irmão, no pescoço.
- Fique quieto. Deixe-me pensar... – vociferou Hugo, levando as mãos à cabeça e apertando-a com força.
Mas Eduardo não ia ceder sem brigar. Aproximou-se do muro mágico. Quando ia dar outro soco, a machadinha começou a se mexer, desprendendo-se da terra fofa. Hugo a viu rodopiar no alto e flutuar, e em fração de segundo, desapareceu, na direção onde Crisco, Mom e Trupp levaram Raquel.
- Vamos atrás deles agora – falou Eduardo, olhando para a cara do irmão.
Hugo fez uma cara de quem topava tudo, a qualquer hora e em qualquer instante.
- Se eu fosse vocês não iria atrás deles agora. Isso aqui a noite fica muito assustador – sussurrara uma vozinha suave de trás de uma figueira.
Eduardo viu um focinho preto. Hugo se afastou da árvore, e correu para o lado do irmão.
- Quem é você? – perguntou Eduardo, vendo novamente o focinho.
- Sou o Sr. Martus. Ao seu dispor! – comentou a vozinha.
E colocou a cabeça para o lado: era uma raposa, meio velha e abatida, que estava escondida atrás da figueira. Seu rabo parecia a um espanador de tão suave que era, e seus olhos tinham uma cor amarelada, que passava certa desconfiança a Eduardo e Hugo quando ela pulou de cima das raízes para o chão.
- Você é...? – Hugo se assustou ao ver uma raposa falante.
- Uma raposa? – disse o Sr. Martus, aproximando-se dos dois. – Aquela é Múria, minha esposa.
Do nada aparecera outra raposa de trás da figueira. Mas esta era mais jovem e meio magricela, bem menor que o parceiro. Com uma voz forte e melodiosa.
- Como vão crianças? – começou a raposa fêmea logo ao lado de Hugo. – Não podemos deixar de presenciar aqueles goblins levarem a irmã de vocês.
Eduardo tossiu. Olhou para os olhos negros de Múria: pareciam que estavam com certa alegria.
- Vocês a viram ser levada e nem sequer nos ajudaram? – bufou ele, certo de que vira o Sr. Martus dar um sorrisinho de meia-boca.
Múria deu um sorrisinho.
- Perdoem-nos queridos. Nós temos um lema nessa floresta; nunca confie em ninguém. Muito menos em goblins.
- Eles levaram a nossa irmã – disse Eduardo, limpando o nariz. O Sr. Martus encaminhou-se para o lado da esposa que, estava defronte para os dois garotos.
- Ó, querido. Lamento muitíssimo – falou ela, lamentando uma falsa dor.
- O que ela lamenta? – perguntou Eduardo, rosnando.
Múria abaixou a cabeça e o Sr. Martus terminou a frase da esposa.
- Ela quer dizer que é muito difícil escapar do Calabouço de Gandon.
Eduardo mexeu a cabeça. Hugo olhou para os lados. Passou a mão no cabelo e disse:
- Temos que procurar Raquel. E tirá-la daquele calabouço.
- Já irá anoitecer e vocês não vão conseguir chegar lá a tempo – indagou Múria, olhando para o céu, entre os galhos retorcidos das figueiras.

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