quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Página 26

- Hugo... não estou me sentindo bem! – avisou Raquel, passando a mão na nuca e retirando o pequeno dardo do tamanho de um dedo mindinho. – Estou...

- Agüente mais um pouco – pediram Eduardo e Hugo, juntos.

Mas Raquel largara a mão do irmão e Trupp lançara do alto a sua boleadeiras e a garota caíra no chão cheio de folhas secas.

- Hugo! – berrou Raquel, caída de bruço no chão, com a cabeça levantada para o alto, esticou a mão e tombou, desmaiada.

- Raquel... Raquel! – esganiçou-se Hugo, voltando para ajudar a irmã a se levantar.

- Raquel – Eduardo vinha correndo logo atrás de Hugo.

Era tarde demais. Mom lançara a sua machadinha a uns trinta centímetros à frente dos pés de Hugo, e abrira um muro mágico. Hugo tentou passar por ele, mas foi lançado para trás. Eduardo dava socos e pontapés para tentar destruí-lo, só que nada acontecera. E Crisco e Trupp pularam de cima das árvores, para o chão, ao lado de Mom em cima da porca verde e de Raquel desmaiada logo à frente, rente ao muro mágico.

- Não façam nada com ela – ordenou Hugo, esticando o dedo indicador. – Não se atrevam a fazer nada com ela. Entenderam?

- Raquel – choramingou Eduardo de joelhos entre o muro que os separava da irmã, imaginando, por um minuto que fosse a reação da mãe se eles chegassem sem ela na Casa de Campo. –, acorde... Vamos embora daqui!

Crisco riu escandalosamente.

- Pelo menos conseguimos capturar um. Os outros pegamos depois. Afinal, estarão perdidos mesmo pela floresta – o goblin dera um sorriso a Hugo e Eduardo. Puxou os longos cabelos aloirados da garota e riu novamente.

- Agora amarre-a... Trupp! – mandou Mom de cima da porca. – Gandon não ficará alegre, nem satisfeito em saber que capturamos somente um humano intruso.

O goblin de nariz melecado que carregava a rede foi em direção de Raquel. E jogou a rede em cima da garota e a enrolou como uma aranha enrola a sua presa.

- Raquel! – sussurrou Eduardo, passando a mão no muro mágico. Olhou para a machadinha fincada no chão, tentou agarrá-la, mas a sua mão ardeu, como se acabasse de levar uma dolorosa queimadura. – Não... por favor... não façam nada com ela.

- Suas criaturas grotescas – ofendeu Hugo, furioso. – Nojentas... feias...

Ele não sabia mais o que dizer a sua boca travou quando Crisco deu outra risada. Aproximou-se do muro mágico e disse:

- São esses tipos de elogios que fazem a nossa fama... criança.

Crisco deu um chute nas costelas de Raquel conferindo se a garota estava acordada ou desmaiada mesmo. E a empurrou, com a ajuda de Trupp, para perto da porca. Um estrondo, e, jogaram Raquel em cima do animal como um saco de batatas. A garota ficara de bruço, com as pontas dos dedos das mãos e dos pés encostando na folhagem da floresta enquanto Mom pulava nas costas dela, como se estivesse saltando em um pula-pula.

- Adeus humanos – disse Mom, sorrindo, com aqueles dentinhos pontiagudos como serrinhas.

- Tragam-na. O que vocês vão fazer com ela?

Hugo foi cortado por uma gargalhada que Crisco dera novamente ao se afastar do muro mágico.

- Raquel! Raquel! Raquel! – e Eduardo vira a irmã sendo levada pelos goblins. – Voltem aqui...

Crisco foi se afastando junto com Trupp. A porca não parou de grunhir e, Eduardo e Hugo viram eles se distanciarem, fugaz, do lugar no qual estavam. Apenas se viam as longas e pontudas orelhinhas de morcegos de longe.

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