segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

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- Temos uma coisa que Gandon gostará – disse Múria ao furão, que coçara a cabeça com as unhas pontiagudas e sujas.
Hugo arregalou os olhos. Sentiu uma raiva apoderar-se do seu corpo. Mas se conteve.
- E o que pode ser? – berrou o furão, com a voz grossa.
- Fale baixo, Mopso – reclamou Múria, olhando para trás. – Eles não estão muito longe.
Hugo cobriu o rosto com o manto ao ver Múria olhar para trás de relance. E o retirou quando o Sr. Martus começou a falar.
- Temos dois humanos dormindo na caverna. A irmã mais nova foi levada por Mom e seus amigos. A essa altura eles até já devem tê-la entregue a Gandon – o Sr. Martus virara a cara com desdém.
Múria também virou com desprezo.
- Aqueles goblins!
Mopso fez um som agudo e rascante quando escutou as árvores balançarem com a força do vento.
- Crianças? Arre...
- Sim... crianças. Se agirmos primeiro, poderemos matá-las – avisou Múria, sorrindo.
Hugo abaixou a cabeça, confuso, entre as raízes.
- Gandon detesta crianças... – riu Mopso.
- Você sabe por que é que Gandon prende criaturas místicas e humanos no calabouço, não?
Mopso fez outro som rascante, mas o som que ele fizera não fora agudo, e sim; fraco e sussurrante.
- Claro que eu sei. E é por isso que me uni a ele. Para que ele não me force a entrar na fortaleza. E foi o mesmo que vocês fizeram há anos. Muito antes de mim, e não precisaram de nenhum motivo para se bandear para o lado dele.
O Sr. Martus pulou em cima do furão.
- Como você se atreve seu verme nojento. Você não passa de uma escória do mundo. É um ser insignificante que vive para atormentar a vida de todos.
Hugo viu os dentes da raposa quase fincarem no pescoço do furão, que se encolheu, vacilante.
- Perdoe-me, Martus! Perdoe-me... por favor! Múria, ajude-me?
- Vá e avise Gandon. Avise que as crianças estão aqui conosco e que esperamos ele vir.
- Sim... sim... é claro. Martus! – gaguejou o furão, prestando atenção nas últimas dicas que as raposas lhe davam.
Hugo se assustou. Voltou a colocar o manto velho no rosto e se afastou das raízes. Correu de volta para a caverna. Passava pelos arbustos molhados com o sereno; estava desligado demais para pensar em mais coisas, por sorte a floresta enluarada, o ajudava a trilhar o caminho de volta para a moradia das raposas malandras. Retirou o manto do rosto e não pôde e nem queria acreditar; como foram tão burros em confiar nelas. O garoto continuou a correr, não sabia se elas estavam lhe seguindo ou não. Quando chegou à caverna ele gritou nos ouvidos de Eduardo, mas o irmão não acordava. Começou então a balançá-lo para que despertasse, mas nada adiantava.
- Edu... Edu acorde... Vamos, acorde!
- O que foi mãe? Me deixa dormir mais um pouquinho. Por favor!

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