terça-feira, 6 de abril de 2010

Página 20

Por fim o garoto pôde retirar o pé do degrau podre. Hugo agarrou a mão do irmão e o guiou para perto do caldeirão fuliginoso. Raquel ficou onde estava. Fixou os olhos entre a madeira quebrada e empertigou-se.

- O que será isso? Brilha como ouro!

- Do que você está falando? – rosnou Eduardo, apertando a canela com as mãos.

Raquel como sempre não lhe dera atenção. Continuava a fixar os olhos para o degrau quebrado.

- É um fundo falso. Por isso que quebrou – disse ela, por alto.

- O que foi Raquel? – perguntou Hugo, sentado ao lado de Eduardo que bocejava sem parar.

E mais uma vez a garota não deu atenção.

- O que deve ser isso que está brilhando aqui dentro?

A garota colocou a mão pálida dentro do degrau quebrado, que agora era um fundo falso e muito escuro.

- É um fundo falso mesmo. E tem alguma coisa dura aqui... – disse ela, apalpando alguma coisa.

E puxou.

- Um livro! O que um livro estaria fazendo em um fundo falso de um degrau?

Eduardo sentiu os olhos arderem e as pálpebras delatarem com a claridade que saía do livro dourado. E Hugo fechara os olhos para não sentir a terrível sensação que o irmão sentiu ao olhar para o objeto.

- Onde estava? – arquejou Eduardo, misterioso.

Raquel segurava o livro com tanta força, que parecia não querer largá-lo. E Eduardo e Hugo pensaram por um instante que a irmã não queria lhes mostrar.

- É um livro... um Grimório!

- Um o quê? – admirou-se Eduardo, vendo a irmã se sentar entre Hugo e ele.

Hugo esticou a mão.

- Deixe-me vê-lo!

Raquel resmungara alguma coisa.

- Por quê? Ele parece que não quer sair das minhas mãos!

Eduardo contestou.

- Dê à ele logo e pare de frescura!

- N-Não p-posso e-eu j-já d-disse.

Hugo se aproximou de Raquel.

- Um Grimório? E estava escondido no degrau! – falou ele, fixando os olhos no livro.

- Era na verdade um fundo falso. Com o pisão de cavalo que Eduardo deu. Ajudou a quebrá-lo.

Eduardo se ofendeu.

- Eu não tenho pisão de cavalo!

- Ah... você tem! – ofendeu Raquel, segurando o Grimório fortemente.

- Não tenho não – guinchou Eduardo, tremendo ao falar.

- Tem e ponto final – disse Raquel finalmente.

- Mande ela parar Hugo – queixou-se Eduardo.

Hugo adiantou-se, muito nervoso. Tremendo de raiva.

- Já chega vocês! – cortou ele, puxando o livro com força das mãos da irmã.

Eduardo viu o rosto de Raquel ofuscado com a luz que saiu do livro. Parecendo a um véu colorido. Um tipo de magia que o livro possuía e que talvez escondia há séculos.

- Viu como ele sai da sua mão. Agradeça a mim por ter achado esse Grimório. Porque se eu não tivesse afundado o meu pé no degrau você nunca o teria achado – vociferou Eduardo, fazendo massagem na canela machucada.

Hugo examinou-o cuidadosamente.

- É um Grimório mesmo.

Raquel virou os olhos. Nem prestou atenção no que Eduardo resmungava.

- E você ao menos sabe o que é um Grimório?

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