Um puxão que Eduardo deu e o livro pulou em suas mãos. E o véu colorido saíra dele novamente, mas forte e brilhante do que antes. Eduardo sentiu uma coragem repentina que ele nunca sentira antes.
- Que mal tem em abri-lo?
- Não! – berrou Hugo, esticando as mãos para pegar o livro de volta, mas ele não queria sair das mãos de seu novo dono. – Não sabemos o que ele guarda.
- Hugo tem razão – concordou Raquel, vendo Eduardo forçar o trinco do livro com força.
- Vamos correr esse risco então... – disse Eduardo, mais corajoso do que nunca.
E a dor na canela passara no instante em que ele apertou o trinco, com mais força do que antes.
Hugo franziu a testa e Raquel fechara os olhos. Eduardo abriu o livro e viu um jato verde com listras brancas ricochetear pela casa, indo ate o teto e segundos depois, pairar no ar: e começou a flutuar por tudo quanto era cômodo da casa. Raquel abriu um olho, assim que viu o jato verde se transformar em um grande véu colorido. Hugo arregalou os olhos para o lado e viu a vela vermelha derretida até o meio acender do nada.
- Viu o que você fez? Feche esse livro!
- Não dá – respondeu Eduardo ao irmão.
Raquel viu sair da vela vermelha uma fumacinha misteriosa que começava a contorná-los e entrar no Grimório. Mordeu os lábios e viu o jato verde com listras brancas voltar com toda a velocidade para dentro do livro. Eduardo olhou para a escada e o gato preto continuava lá, igual a uma estátua, com aqueles olhos amarelos, fixados neles. Olhou para os lados e viu a vela apagar-se.
E Eduardo, Raquel e Hugo sentiram seus corpos flutuarem, ao desencostarem do chão – e as roupas pareciam desprender-se dos corpos deles, de forma abrupta, feito puxões desesperadores, como se alguém estivesse ateando fogo neles – e em fração de segundo foram puxados para dentro do livro. Um estampido forte e o livro se fechara, desaparecendo da sala com eles. Mais um miado, e a Casa dos Horrores mergulhou em total silêncio.
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