sexta-feira, 23 de abril de 2010

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- Mas um passo e ele morre! – sentenciou Hugo, amarrando o goblin com a sua própria corda.

- Ele pegou Crisco – gritou o de cara torta, com a rede amarrada na cintura e a boleadeiras na mão murcha.

- Como você se atreve? – resmungo o goblin, amarrado.

Raquel o viu espernear. Tentava se soltar da corda, mas não conseguia. Eduardo tentava segurar a cabeça da criaturinha, só que ela estava descontrolada, arranhando os dedos dos garotos.

- Seu humano nojento – vociferou Trupp. – Temos ordens para prender qualquer humano que estiver andando pela floresta.

- Mas vocês não farão isso. Farão? – perguntou Hugo interessado.

O goblin de cima da porca deu uma gargalhada e todos o acompanharam.

- Olhe o que ele diz Trupp – sorria o que estava em cima da porca verde.

- Cala a boca, Mom! – ordenou Trupp, franzindo a testa, zangado. – Sabem que estão pisando em um terreno muito perigoso, não?

Ouviu-se outra gargalhada, mais forte e medonha que, Eduardo, Raquel e Hugo não souberam de onde veio.

- Gandon gostará de ver esses humanos.

- Eu já falei para você calar essa boca... Mom – berrou o goblin de mau humor, aproximando-se de Hugo, que estava de pé, protegendo os irmãos que, seguravam Crisco com força.

- Com quem você pensa que está falando, Trupp? Gandon pode mandar em tudo isso, mas eu ainda sou o seu líder – vociferou o de cima da porca verde. – Você me deve obediência também!

Hugo se afastou. O goblin se aproximou dele e olhou para o seu rosto: era tão pequeno que mal alcançava os joelhos do garoto.

- Quem é esse tal de Gandon?

Outra gargalhada ouviu-se na floresta. Mom quase caíra de cima da porca quando riu, segurando a barriga. Trupp também deu um risinho cínico.

- Gandon é o maior feiticeiro dessas terras – disse Crisco lançando um ar de surpresa. – A Terra de Gandon como é chamada. É ele quem manda até os Portões de Termidor, o reino da rainha Terrorínea, ao Leste e das Portas de Ertron e Garcmenon, ao Sul.

- O maior feiticeiro! – cantarolou Mom.

- Não! – exclamou Hugo protegendo os irmãos.

Trupp lançou-lhe um olhar de desconfiança. Coçou a cabeça careca e resmungou alguma coisa.

- Gandon é o senhor absoluto de tudo isso. É ele quem manda por essas bandas.

- Então diga a esse tal de Ganddy que não iremos nos entregar tão facilmente – avisou Eduardo, segurando a cabeça de Crisco.

- É Gandon, seu humano idiota. Gandon – acrescentou Trupp dando as costas para eles. – E depois de levá-los para o calabouço ele nos dará vocês e os outros prisioneiros para que possamos nos alimentar.

Hugo olhou para os lados. Tentou achar uma saída mais rápida para sair daquele lugar. Mas as raízes brotadas para fora da terra cercavam todo o caminho. Mom o olhava com aqueles olhinhos ameaçadores de cima da porca e Trupp rosnava alguma coisa que Hugo não conseguia entender direito. Eduardo pegou a zarabatana das mãos de Crisco e a jogou para o lado.

- Seu imbecil! – disse Crisco.

Hugo não pensou duas vezes: deu um chute no estômago de Trupp, que cambaleou em direção à porca, voando a boleadeiras e a rede por cima do seu rostinho de vela derretida. Mom deu um berro tão alto que soou por toda a floresta. Levantou a machadinha para o alto e mexeu as rédeas. Raquel ainda segurava as pernas de Crisco quando sentiu que aquele era o momento de fugirem.

- Vamos embora daqui! – berrou ela, puxando Eduardo e largando o goblin, que começava a se soltar da corda e avistando rapidamente a sua zarabatana.

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