domingo, 14 de março de 2010

Capítulo 2 - A Casa de Campo

E a charrete atravessou a porteira. Foi-se em direção a casa de estilo colonial, soltando fumaça pela chaminé. Passou por outra estradinha de terra e logo a frente via-se uma grande fonte circular com uma estátua de mármore em cima de um pedestal. A charrete contornou-a e seguiu para a casa grande. Eduardo via de longe um carvalho grande e verde, bem nos limites da propriedade, onde em volta da árvore, no chão, estava forrado por outro capinzal (mais baixo que o da beira da estrada, perto dos pinheiros com quase quatro metros de altura) e nos galhos, com duas cordas amarradas a um pneu velho, que faziam de balanço. A charrete parou bem perto da escadaria. Hugo foi o primeiro a descer e agarrou as maletas das mãos de Eduardo. Gabriel pulara também, com as mãos estendidas para Raquel, que desceu rapidamente. E por último a Sra. Petre que, deu um pulinho.

- Pode deixar que eu levo as malas – disse Gabriel, adiantando-se em longos passos, ainda com as mãos estendidas.

Hugo parou com as maletas na mão, de pé, perto da escadaria e esperou a reação de Gabriel.

- Sra. Petre – gritou uma velha do alto, eufórica. –, como vai?

- Mafalda! – cumprimentou a Sra. Petre, subindo os degraus da escadaria e aproximando-se de onde a velha estava parada. – Como está?

A Sra. Mafalda era uma velha baixa e gorda, com o pescoço enterrado e com uma verruga bem na parte superior dos lábios. Era avó de Gabriel que o criou desde que o garoto perdera os pais e governanta da casa.

- Meus pêsames minha filha – lamentou a velha. – Não fique assim. Tudo isso vai passar.

A Sra. Petre virou o pescoço e estendeu a mão.

- Filha... venha. Edu... Hugo.

Os garotos subiram correndo pela escadaria. E a Sra. Mafalda dera um beijo nas bochechas rosadas de Raquel e um abraço bem apertado em Eduardo e Hugo que, olhou para trás e viu Gabriel subir com as maletas nas mãos.

- Gabriel... querido. Leve as maletas para os quartos de hóspedes está bem? – mandou a Sra. Mafalda ao neto, virando-se e entrando porta adentro. – Depois veremos em qual dos dois quartos a Sra. Petre irá querer ficar!

- Me chame de Elizabeth... Mafalda. Afinal, você me conhece desde pequena – pediu a Sra. Petre, passando pelo corredor sem deixar de olhar para o assoalho da sala, muito bem encerado.

- Se é assim que deseja... – tornou a velha meio sorridente.

- Sim! Prefiro que seja assim. Não sou mais a Sra. Elizabeth de Oliveira Petre há anos, Mafalda. Depois que Edgar perdeu tudo em jogatinas, só me sobraram àquelas maletas que Gabriel acabou de levar – rosnou a Sra. Petre.

Raquel correu para o lado da mãe, batendo no calcanhar de Eduardo, que parou para ver os retratos na parede. Hugo estava distraído e tropeçou numa farpa desencaixada do assoalho, empurrando o irmão para frente. E Eduardo viu os retratos em preto e branco bem no alto. E logo abaixo estavam os nomes referentes a cada um, gravados em uma plaquinha de prata. O garoto ficou na ponta dos pés e leu; Rosmarina de Oliveira Ferraz (era o nome da bisavó que a mãe dele sempre falava) de mãos dadas com um velho bigodudo, que mais parecia a uma taturana pregada no rosto. Eduardo se aproximou para ver melhor o nome borrado do homem na plaquinha: Roberto Ferraz; de certo era o bisavô que ele sequer vira por fotos, mas que ouvira a mãe dizer por alto o nome dele. E mais adiante estava tia Klara, uma enorme bola de vestido. As bochechas mais rosadas que as de Raquel e os cabelos encaracolados, bem clarinhos. Era assim mesmo que Eduardo se lembrava dela, só que mais velha e mais gorda. Parou diante dos porta-retratos e não soube identificar quem eram as pessoas. Passou a mão no mais bizarro de todos;

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