um velho magro, que lembrara muito a Eduardo uma lombriga branca e esquisita. A única foto que ele não viu foi a da sua avó, Érina, a irmã de tia Klara.
Eduardo pareceu ouvir a voz da mãe. Um eco sobressaiu pelas paredes e ele correu para alcançá-la. Quando viu que todos se aproximavam da porta da biblioteca.
- Onde você estava? Não se afaste de mim entendeu? – vociferou a Sra. Petre de meia-boca.
Eduardo virou os olhos de tédio.
- Klara? – disse a Sra. Mafalda abrindo a porta. – Olhe quem chegou?
- Elizabeth... Elizabeth... é você minha sobrinha? – perguntou tia Klara ansiosa da poltrona. – Venha até aqui.
A Sra. Mafalda fez um sinal com as mãos para a Sra. Petre entrar. Hugo balançou a cabeça e entrou logo atrás dos irmãos.
- Tia – choramingou a Sra. Petre. – São só por alguns meses. Até eu acertar tudo...
- Meus pêsames pelo o que aconteceu com Edgar – disse tia Klara, estendendo as mãos e abraçando a sobrinha com força. – Aquele biltre inglês não te merecia. Mas não se preocupe que agora vocês não estão mais desamparados.
- Ele não agüentou tanta pressão e se ma...
- ... não falemos mais disso, ok? – cortou a velha. – Hugo... Eduardo... Raquel. Como vocês cresceram. Não enxergo direito, mas vejo que estão maiores do que eu. Será impressão minha?
Eduardo dera um abraço na tia. Há olhou dos pés à cabeça, sem que fosse notado pela Sra. Mafalda que, choramingava da porta. Sinceramente aquela não era a forte e vigorosa tia Klara dos retratos no corredor de entrada. Agora via-se uma velha debilitada e quase cega. Os cabelos cor de algodão estavam presos em um coque alto. E as mãos brancas e pálidas, tremiam ao abraçar o garoto e estava bem magra, comparada há anos.
- Estão com fome? – perguntou tia Klara dando um sorriso.
Hugo fez um sinal com a cabeça. Mas Raquel se incomodou em falar um sim.
- Mafalda. Leve-os para a copa e prepare um lanche para eles. Depois traga chá com biscoitos para Elizabeth e para mim. Por favor! – disse tia Klara roucamente, voltando a se sentar na poltrona.
Tia Klara indicara o sofá logo à sua frente e a Sra. Petre se acomodou nele, com o rosto levemente corado ela escutava atenciosamente a tia conversar com ela.
- Venham queridos – chamou a Sra. Mafalda, fechando a porta da biblioteca. – Aposto que estão com fome, não?
- Sim – disseram os três juntos, automaticamente.
Os três seguiram a velha por um corredor longo e estreito. Onde havia centenas de salas. Uma maior que a outra. Quando chegaram à copa viram a empregada colocar compotas na longa mesa envernizada. Os olhos azuis de Raquel brilharam em ver tanta comida gostosa. E Eduardo correu e arranjou uma cadeira perto do bolo de chocolate com calda quente no meio e Hugo dos pastéis de forno. Raquel se conformou em ficar perto das tortas de limão e maçã.
- Cilene! Depois leve chá com biscoitos para a biblioteca está bem? – falou a velha governanta para a empregada que, acabara de colocar o último vidro de compota na mesa.
A mulher fez que sim com a cabeça e saiu da copa junto com a Sra. Mafalda, que dera um belo sorrisinho aos três.
- Parece delicioso esse bolo de chocolate com calda quente no meio – afirmou Eduardo animado, pegando um pedaço gigantesco e o colocando no seu prato.
Hugo esfregou o nariz.
- Pastéis de Romeu & Julieta. Hmmm.
Raquel deixou sair um gritinho e passou a mão em um pão e o encheu de doce. Olhou para os lados e o abocanhou.
- É tudo muito gostoso – ofegou Eduardo olhando para os irmãos. – Sucos!
- Me passa um pedaço desse bolo, Edu – pediu Hugo ríspido, estendendo o prato na direção do irmão, que o encarou de cara azeda e, cortou uma fatia do bolo de chocolate com calda quente no meio.
Hugo ergueu a cabeça. Eduardo hesitou.
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