O garoto correra para a aglomeração de pessoas logo à frente.
- Não faça mais isso entendeu? Se você se perder... – a Sra. Petre explodira de exaustão.
Hugo resmungou.
- Você sempre quer ficar chamando a atenção de todo mundo, né?
- Você não é meu pai para me dizer o que eu tenho de fazer ou não! – disse Eduardo, com um sorrisinho maldoso.
Hugo deu uma risada ameaçadora.
- Parem de brigar – urrou a Sra. Petre, segurando o ombro de Eduardo e Hugo a mão de Raquel.
Eduardo sentiu o rosto corar. Enfiou a cabeça entre as costelas das pessoas logo à frente e viu um ônibus grande se aproximar cada vez mais da plataforma. Uma fumaça esbranquiçada foi notada de longe, e todos viram o motorista com as mãos na buzina. O barulho ficava mais intenso quando ele vinha se aproximando devagar. E o motorista buzinou pela primeira vez. Tinha uma plaquinha vermelha e numerada, em branco, meio apagada com a fuligem e a sujeira do ônibus. Depois de alguns segundos ele parou e deu uma freada tão forte que Eduardo jogou-se aos pés da mãe. Raquel não se conteve e começou a rir da cara azeda e enrugada que ele fizera. A Sra. Petre e Hugo nada mais falaram. E os quatro embarcaram no ônibus, vendo seus lugares respectivamente numerados de acordo com seus bilhetes. Eduardo ficou ao lado da mãe, com o rosto colado na janela, e Raquel na frente, ao lado de Hugo que, olhava para fora, vendo as pessoas embarcar uma a uma para dentro do mesmo.
- Não me lembro do rosto de tia Klara – dissera Hugo sem convicção.
Eduardo desgrudou o rosto do vidro e encarou Hugo.
- Só da enorme pessoa que ela é.
- Mas já faz tanto tempo que não há vemos.
A Sra. Petre suspirou.
- Nada de ficar falando mal dela entendeu Edu? Não quero mais ouvir você dizer isso. Estamos entendidos?
- Nunca fomos para lá. Mais bem foi tia Klara quem veio para cá... Quando papai ainda era... – Raquel foi interrompida por uma tossida que Eduardo deu.
A Sra. Petre percebeu que o ônibus dera uma sacudida e Raquel esticou o pescoço, vendo o velho de cabelos brancos iguais a tufos de algodão apitar novamente, fazendo um sinal com as mãos. O ônibus deu outra arrancada, acompanhada de uma sacudida frenética e Eduardo foi para frente. Outra buzinada forte e ele começou a se afastar da rodoviária abafada. Hugo olhou de relance a mãe que, começava a cochilar de cansaço. Levou a mão na altura da boca e bocejou, e ônibus mergulhou em total silêncio.
O ônibus seguia por um vasto campo verde. Casebres de madeira viam-se bem à distância, soltando uma fumaça esbranquiçada pela chaminé. Minutos depois ele começava a beirar um longo e estreito rio, com correntezas fortes e traiçoeiras. Dos topos das montanhas via-se uma cachoeira parecida a um véu de noiva: era de onde o rio vinha. Eduardo não desgrudou nenhum segundo da janela (não queria perder nada da viagem). Quando ele fez outra curva mais longa que a primeira, o garoto pôde ver o último pneu retorcido, e quando piscou novamente já não estava mais lá, havia desaparecido em fração de segundo. A cidade fora deixada para trás a maneira que iam aparecendo Fazendinhas e Casas de Campo no meio do nada. Raquel também adormeceu, com a cabeça em cima das pernas de Hugo que, abria e fechava os olhos toda vez que o interior do ônibus dava uma sacudida estrondosa. O sol ficava mais quente do que na rodoviária. E o reflexo do rio não parava de vir no rosto de Eduardo que, apoiou os braços no parapeito da janela e encostou o queixo neles, ainda observando o vasto campo verde de longe, junto com o rio de correntezas fortes e traiçoeiras que ficava cada vez mais distante do buzão – como dizia Eduardo.
Depois de cinco minutos o ônibus foi parando, fez aquele estrondoso assobio e parou em um ponto antigo, com famílias à espera de algum parente que talvez desceria. Outra sacudida e recomeçou a viagem. Passou por outro ponto onde só havia um banquinho todo deteriorado com o passar do tempo. As horas iam passando e Eduardo ficava entediado de ver tanto verde (talvez
- Não faça mais isso entendeu? Se você se perder... – a Sra. Petre explodira de exaustão.
Hugo resmungou.
- Você sempre quer ficar chamando a atenção de todo mundo, né?
- Você não é meu pai para me dizer o que eu tenho de fazer ou não! – disse Eduardo, com um sorrisinho maldoso.
Hugo deu uma risada ameaçadora.
- Parem de brigar – urrou a Sra. Petre, segurando o ombro de Eduardo e Hugo a mão de Raquel.
Eduardo sentiu o rosto corar. Enfiou a cabeça entre as costelas das pessoas logo à frente e viu um ônibus grande se aproximar cada vez mais da plataforma. Uma fumaça esbranquiçada foi notada de longe, e todos viram o motorista com as mãos na buzina. O barulho ficava mais intenso quando ele vinha se aproximando devagar. E o motorista buzinou pela primeira vez. Tinha uma plaquinha vermelha e numerada, em branco, meio apagada com a fuligem e a sujeira do ônibus. Depois de alguns segundos ele parou e deu uma freada tão forte que Eduardo jogou-se aos pés da mãe. Raquel não se conteve e começou a rir da cara azeda e enrugada que ele fizera. A Sra. Petre e Hugo nada mais falaram. E os quatro embarcaram no ônibus, vendo seus lugares respectivamente numerados de acordo com seus bilhetes. Eduardo ficou ao lado da mãe, com o rosto colado na janela, e Raquel na frente, ao lado de Hugo que, olhava para fora, vendo as pessoas embarcar uma a uma para dentro do mesmo.
- Não me lembro do rosto de tia Klara – dissera Hugo sem convicção.
Eduardo desgrudou o rosto do vidro e encarou Hugo.
- Só da enorme pessoa que ela é.
- Mas já faz tanto tempo que não há vemos.
A Sra. Petre suspirou.
- Nada de ficar falando mal dela entendeu Edu? Não quero mais ouvir você dizer isso. Estamos entendidos?
- Nunca fomos para lá. Mais bem foi tia Klara quem veio para cá... Quando papai ainda era... – Raquel foi interrompida por uma tossida que Eduardo deu.
A Sra. Petre percebeu que o ônibus dera uma sacudida e Raquel esticou o pescoço, vendo o velho de cabelos brancos iguais a tufos de algodão apitar novamente, fazendo um sinal com as mãos. O ônibus deu outra arrancada, acompanhada de uma sacudida frenética e Eduardo foi para frente. Outra buzinada forte e ele começou a se afastar da rodoviária abafada. Hugo olhou de relance a mãe que, começava a cochilar de cansaço. Levou a mão na altura da boca e bocejou, e ônibus mergulhou em total silêncio.
O ônibus seguia por um vasto campo verde. Casebres de madeira viam-se bem à distância, soltando uma fumaça esbranquiçada pela chaminé. Minutos depois ele começava a beirar um longo e estreito rio, com correntezas fortes e traiçoeiras. Dos topos das montanhas via-se uma cachoeira parecida a um véu de noiva: era de onde o rio vinha. Eduardo não desgrudou nenhum segundo da janela (não queria perder nada da viagem). Quando ele fez outra curva mais longa que a primeira, o garoto pôde ver o último pneu retorcido, e quando piscou novamente já não estava mais lá, havia desaparecido em fração de segundo. A cidade fora deixada para trás a maneira que iam aparecendo Fazendinhas e Casas de Campo no meio do nada. Raquel também adormeceu, com a cabeça em cima das pernas de Hugo que, abria e fechava os olhos toda vez que o interior do ônibus dava uma sacudida estrondosa. O sol ficava mais quente do que na rodoviária. E o reflexo do rio não parava de vir no rosto de Eduardo que, apoiou os braços no parapeito da janela e encostou o queixo neles, ainda observando o vasto campo verde de longe, junto com o rio de correntezas fortes e traiçoeiras que ficava cada vez mais distante do buzão – como dizia Eduardo.
Depois de cinco minutos o ônibus foi parando, fez aquele estrondoso assobio e parou em um ponto antigo, com famílias à espera de algum parente que talvez desceria. Outra sacudida e recomeçou a viagem. Passou por outro ponto onde só havia um banquinho todo deteriorado com o passar do tempo. As horas iam passando e Eduardo ficava entediado de ver tanto verde (talvez
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