quinta-feira, 18 de março de 2010

Página 10

- Parece que ninguém vai lá há anos! – exclamou a garota, olhando para o rosto pálido de Eduardo. – Será que é uma casa mal-assombrada?

Eduardo se afastou do alambrado. Franziu a testa e disse:

- V-Vamos e-embora d-daqui e-então!

- Está com medo da casa mal-assombrada Eduzinho da mamãe? – perturbou Hugo, quando escutou um grito, pensando ser de Eduardo, mas era de Gabriel lhes chamando.

Eduardo respirou mais aliviado.

- O que fazem aqui?

- Estamos admirando essa casa velha – resmungou Eduardo. – Você não está vendo?

O garoto desceu a ribanceirazinha e se aproximou dos três.

- A Casa dos Horrores? – falou Gabriel. – Há rumores de que ela seja mal-assombrada.

Eduardo franziu agora o rosto.

- Casa dos Horrores? – repetiu ele. – Agora você vai me dizer que essa casa velha tem até um nome?

- Sim. Pertenceu as irmãs Farrow. Duas bruxas que foram mortas na fogueira há quase dois séculos por ordem dos fazendeiros locais – começou Gabriel apoiando o cotovelo na cerca.

Hugo e Raquel pareceram interessados e envolvidos na história, já Eduardo não estava nem um pouco alegre de estar perto da casa das irmãs Farrow.

- Então é uma casa mal-assombrada? – tornou Hugo com sensatez.

- Uns dizem que é. Agora outros afirmam que é só uma casa abandonada – concluiu Gabriel, fazendo ar de mistério. – Mas mesmo assim, ninguém se atreve a entrar lá dentro.

Raquel gemeu.

- Você já entrou lá?

Gabriel fez um sinal meio confuso com a cabeça.

- Já cheguei até a porta. Mas não consegui ir além disso.

- Vamos embora! – pediu Eduardo.

Hugo estava interessado em saber a verdadeira história das irmãs Farrow. Nem deu importância para Eduardo. Então ele continuou:

- E porque elas morreram queimadas na fogueira?

- Por que mataram várias crianças. Entre elas os filhos de alguns dos fazendeiros locais.

Eduardo deixou escapar um grito sufocado de desespero.

- Dizem que o tataravô da Sra. Oliveira foi o cabeça de tudo. O Sr. Homero Braga. Um homem enérgico mais muito misterioso. Dizem que era extremamente ligado as velhas tradições. Foi ele quem comandou a perseguição as bruxas.

Raquel arregalou os olhos.

- E como elas se chamavam?

- Circe e Holda Farrow!

Os três prestaram atenção no que Gabriel falava. Então ele recomeçou:

“Muitos dizem que quando ficavam fracas, sugavam a vitalidade das crianças. Por serem fortes e joviais. Em ano e ano elas cometiam atrocidades por onde passavam. E foi por isso que os fazendeiros as queimaram. Porque não queriam mais ver os seus filhos serem mortos pelas bruxas.”

- Só que isso já faz quase dois séculos não é mesmo? – choramingou Eduardo. – Eh... não tem perigo de acontecer nada... não é?

Gabriel deu uma risadinha.

- Elas morreram a quase dois séculos. Você não quer que elas voltem?

- Não... não quero que... elas voltem – gaguejou o garoto, olhando para os lados.

- Uma vez a pessoa morta sempre morta! – corrigiu Hugo, tentando amenizar o pavor estampado no rosto do irmão.

- Não – discordou Eduardo com um berro só. – Fantasmas também existem você não sabia?

Raquel e Gabriel ficaram calados.

- Agora você quer vir me dizer que essa casa velha não é mal-assombrada? – ganiu Eduardo, erguendo a cabeça.

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