sexta-feira, 12 de março de 2010

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A Sra. Petre viu a filha vir a seu encontro.

- Mamãe, pra onde vamos agora?

- Para a casa da sua tia Klara. Liguei para ela já faz três dias. Mas não consegui falar com ela. Espero que alguém lhe tenha dado o recado. Não quero chegar lá sem ela ao menos saber do acontecido.

Eduardo pigarreou.

- Ele não pode fazer isso com a gente. Queria ter dinheiro agora para esfregar na cara desse velho pão-duro.

A mulher chorou ao mesmo tempo em que abraçava os garotos com força.

- É melhor arrumarmos tudo. Caso contrário, eles virão e nos expulsarão sem nada.

Raquel correu para a cozinha e Eduardo para o quarto. Foi arrumar as poucas roupas nas maletas velhas e empoeiradas que estavam embaixo da cama. A Sra. Petre pegara os pequenos objetos de cima da estante. Pegou um porta-retrato e fixou os olhos nele: era o Sr. Petre abraçado com os três filhos. A mulher apertou o porta-retrato entre o peito e suspirou profundamente. Passou a mão nos demais objetos e seguiu para o quarto onde Eduardo estava arrumando as roupas.

- Não se esqueça de nada querido – disse a Sra. Petre deprimida. – Devemos levar tudo.

- Onde está o Hugo? Devemos avisá-lo! – ofegara Eduardo deixando cair as suas meias velhas.

A Sra. Petre parou por alguns instantes perto da porta quando Raquel veio correndo, ofegante a seu encontro e lhe dissera:

- Minha boneca! Onde eu a guardo?

- Vai servir de trapo para... – adiantou-se Eduardo em passos largos com uma maleta de couro encardido na mão.

A garotinha lançou um olhar severo ao irmão.

- Cala a boca!

- É claro que vamos levá-la querida. Vamos colocá-la aqui – dizia a mulher, abrindo outra maleta em cima da cama e guardando a boneca de trapos da garota – Agora vá pegar os seus sapatos que estão na sala, ok?

A mulher sorria para não chorar na frente dos filhos. Catou tudo o que estava no quarto e dirigiu-se à sala, onde Eduardo e Raquel estavam.

- HUGO! – gritou Raquel, pulando de um salto da cadeira ao ver o irmão mais velho abrir a porta.

O garoto de cabelos aloirados a levantou no colo e lhe deu um beijo. A Sra. Petre não conteve as lágrimas e começou a chorar: a mulher batia no peito do filho de tão baixa que era.

- Mãe – Hugo dera um abraço forte na mãe e ainda com Raquel pendurada nos braços, estendeu a mão para Eduardo que, veio encabulado e lhes abraçou.

- O Sr. Klaus está...

O velho voltara resmungando. Balançava a bengala de um lado para o outro. Olhou para os quatro fixamente e bufou, entrando na sala.

- Nunca em toda minha vida vi uma família tão unida. Pena que Edgar não soube aproveitar tudo isso – começou o velho andando até a janela onde Eduardo estava há minutos atrás. – Sei que não tem dinheiro para nada porque seu marido perdeu tudo em jogatinas Sra. Petre. Então... leve isso com vocês.

A Sra. Petre pegara da mão do velho um maço de notas meio sujas e disse:

- Não podemos...

- Antes que diga que não pode aceitar Sra. Petre... não seja tola. Sei que não estão em condições de recusarem nada.

A mulher umedeceu os lábios.

- Obrigada! Muito obrigada! – agradeceu ela, pegando as maletas e saindo com os filhos da sala. O velho ficou no cômodo, perto da janela, observando a rua.

- Então mãe... pra onde vamos... agora? – perguntou Hugo, descendo as escadas logo atrás da mãe.

- Para a casa da sua tia Klara – respondeu ela, gentilmente.

- Pelo menos temos dinheiro! – acrescentou Eduardo, saindo com a irmã pela porta da rua.

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