A Sra. Petre viu a filha vir a seu encontro.
- Mamãe, pra onde vamos agora?
- Para a casa da sua tia Klara. Liguei para ela já faz três dias. Mas não consegui falar com ela. Espero que alguém lhe tenha dado o recado. Não quero chegar lá sem ela ao menos saber do acontecido.
Eduardo pigarreou.
- Ele não pode fazer isso com a gente. Queria ter dinheiro agora para esfregar na cara desse velho pão-duro.
A mulher chorou ao mesmo tempo em que abraçava os garotos com força.
- É melhor arrumarmos tudo. Caso contrário, eles virão e nos expulsarão sem nada.
Raquel correu para a cozinha e Eduardo para o quarto. Foi arrumar as poucas roupas nas maletas velhas e empoeiradas que estavam embaixo da cama. A Sra. Petre pegara os pequenos objetos de cima da estante. Pegou um porta-retrato e fixou os olhos nele: era o Sr. Petre abraçado com os três filhos. A mulher apertou o porta-retrato entre o peito e suspirou profundamente. Passou a mão nos demais objetos e seguiu para o quarto onde Eduardo estava arrumando as roupas.
- Não se esqueça de nada querido – disse a Sra. Petre deprimida. – Devemos levar tudo.
- Onde está o Hugo? Devemos avisá-lo! – ofegara Eduardo deixando cair as suas meias velhas.
A Sra. Petre parou por alguns instantes perto da porta quando Raquel veio correndo, ofegante a seu encontro e lhe dissera:
- Minha boneca! Onde eu a guardo?
- Vai servir de trapo para... – adiantou-se Eduardo em passos largos com uma maleta de couro encardido na mão.
A garotinha lançou um olhar severo ao irmão.
- Cala a boca!
- É claro que vamos levá-la querida. Vamos colocá-la aqui – dizia a mulher, abrindo outra maleta em cima da cama e guardando a boneca de trapos da garota – Agora vá pegar os seus sapatos que estão na sala, ok?
Nenhum comentário:
Postar um comentário