sexta-feira, 12 de março de 2010

Página 5

já estivesse acostumado com a cidade grande). Olhou para os lados e adormeceu, ainda com os braços no parapeito da janela.

A Sra. Petre estendeu uma mão enorme e sacudiu o braço de Eduardo.

- Edu... querido acorde. Já estamos quase chegando.

Raquel coçou o nariz do irmão e riu quando ele acordou assustado.

- Pensei que fosse um bicho – disse Eduardo sem jeito.

Quando viu que fora a irmã, ele a olhou severamente. A garota pensou por um instante que o irmão iria avançar no seu pescoço, mas Hugo a abraçou como um lobo que, protege a sua cria das garras de predadores.

- Nunca – trovejou Eduardo com raiva –, mais faça isso!

- Eu não sei o que eu faço com você, Edu. Sempre com malcriações.

O garoto voltou a olhar para fora. Via pinheiros com quase quatro metros de altura em vários pontos do campo verde e flores vermelhas e lilases em meio a um capinzal logo ao lado, em outro ponto.

- Espero que se comportem está bem? – a Sra. Petre lançou um olhar decidido a Raquel. – Isso serve para você também... Edu.

Eduardo, que ficara quieto, murmurou alguma coisa.

- Tia Klara está muito doente. Não quero que a aborreçam – informou a Sra. Petre.

- Olhem! – berrou Raquel, apontando pela janela. – Casas.

- Pelo menos isso – disse Hugo, fazendo uma corajosa tentativa de sorrir.

A Sra. Petre de repente encontrou a voz.

- Ao menos há alguma diversão.

- Diversão? Onde a senhora está vendo diversão? – respondeu Eduardo, esfregando os olhos. – Estamos no meio do nada. Em um lugar com gente caipira e chata.

Hugo parecia prestes a explodir.

- Então ache um lugar melhor pra gente morar. Não temos casa e nem dinheiro. Vamos... saia. Procure uma casa luxuosa pra gente ficar, que tenha água e comida... farta. E que nem precisemos pagar aluguel.

A Sra. Petre nunca vira Hugo reagir daquele jeito. Via o garoto fazer o mesmo gesto com as sobrancelhas e com as mãos quando o pai brigava com eles.

- Eu... já te disse que... você não é o meu pai – gaguejou Eduardo, rangendo os dentes de raiva.

- Comporte-se Edu. Não vou falar duas vezes com você. Se vier com malcriações vai ficar de castigo – bradou a Sra. Petre, mordendo os lábios para não cometer uma loucura.

Eduardo estalou os beiços.

- Se papai estivesse aqui...

- É por isso que você é assim, Edu. Seu pai sempre passou a mão na sua cabeça quando você cometia algo errado – cortou a mulher, nervosa. – Edgar nunca te conteve. Sempre deixando você fazer tudo o que queria.

Parecia que a Sra. Petre estava falando com o vento, já que Eduardo mal estava ouvindo o que ela dizia.

- Sinceramente eu não sei Edu. O que eu faço com você! – disse por fim.

O sol estava se pondo no horizonte quando o ônibus deu uma sacudida bem forte. A Sra. Petre se desesperou em ver que era o ponto onde eles desceriam. Um berro alarmante que ela deu assustou os filhos que, a acompanharam e desceram na calçada.

- As malas queridos – ofegara a mulher ao ver as maletas no meio-fio. – Pegue-as... Hugo. Ajude o seu irmão... Edu!

Hugo olhou para os lados, com uma maleta em cada mão, viu pinheiros gigantescos, maiores que aqueles na beirada do trilho. Olhou mais intensamente e viu uma cadeia de montanhas: estavam intercaladas uma com a outra. O canto dos pássaros alarmou-os assim que um garoto passou por eles, montado em um cavalo marrom; os sons pareciam uma sinfonia orquestral sintonizando uma melodia levemente graciosa. Virou o pescoço para trás e viu o ponto. Era somente uma cobertura, toda quebrada, com apenas três banquinhos de cimento,

Nenhum comentário:

Postar um comentário