- E como fica a sua situação com o Sr. Vitélio? – perguntou a mãe, olhando para Hugo.
- Foi ele quem me disse que viu o Sr. Klaus com o Oficial de Justiça e os três policiais em frente de casa – disse o garoto.
E não disseram mais nada sobre o padeiro da esquina.
- Foi ele quem me disse que viu o Sr. Klaus com o Oficial de Justiça e os três policiais em frente de casa – disse o garoto.
E não disseram mais nada sobre o padeiro da esquina.
Hugo parou com os irmãos e a mãe a uns dez metros do Oficial de Justiça e dos três policiais que o acompanhavam. Eduardo sentou-se em cima da maleta enquanto Raquel se jogou no meio-fio da calçada. A mulher virou o pescoço e viu o velho lhe fazer um sinal com a cabeça da janela no alto. E ela retribuíra com um breve aceno e se virou.
- Vamos para a Rodoviária. Talvez cheguemos a tempo para pegar o ônibus do meio-dia.
Eduardo fez uma careta.
- Estou com fome.
Raquel lhe dera um tapinha no pescoço.
- Você não tomou o café tudinho porque não quis!
- Parem de brigar – vociferou Hugo, pegando a mão de Raquel.
A garota se levantou e agarrou a mão do irmão e a Sra. Petre começou a caminhar. As pessoas que passavam pela rua encaravam a família, olhavam dos pés à cabeça as vestes da Sra. Petre e a calça pescando de Eduardo que, tentava tampá-la, abaixando a maleta. A família ia se afastando da casa, entrando na primeira travessa do lado esquerdo da rua principal. Passaram por um cortiço onde velhas mexeriqueiras do alto das varandas davam gargalhadas e a Sra. Petre sentia-se cada vez mais estranha naquele lugar (talvez as velhas pensassem que aquela seria mais uma família sem rumo que pretendia morar na vizinhança ou coisa parecida) pelo fato de estar segurando uma maleta. Hugo nem lhes deu atenção, seguindo com Raquel pela travessa de paralelepípedos.
Depois de andarem por cerca de vinte e cinco minutos até a rodoviária a Sra. Petre – com os filhos a sua volta – parou diante de uma cabine onde vendia-se passagens para o destino que os filhos e ela tomariam a partir dali. E pediu ao vendedor:
- Quatro passagens, por favor.
Ela viu o vendedor do alto cortar quatro bilhetes. Olhou para o homem magricela de cabelos amarelo-tostado e abaixou a cabeça.
- Aqui está senhora – falou o vendedor, dando os bilhetes com uma mão e com a outra puxando o dinheiro das mãos da mulher.
Ao encontrar os olhos negros do vendedor, a Sra. Petre falou:
- Hmmm... obrigada, senhor.
- De nada – disse o vendedor começando a palitar os dentes amarelados e meio tortos.
Hugo segurou novamente a maleta que carregava, e apertou fortemente a mão da irmã. Eduardo parou diante da mãe: estava verde de fome.
Quando se virou, com os bilhetes ainda na mão, a Sra. Petre agarrou Eduardo e foi-se com Hugo e Raquel logo atrás para a plataforma baixa e espaçosa que estava começando a ficar cheia de pessoas, uma mais diferente que a outra; nunca na vida Raquel vira tantos rostos em um só lugar. Hugo ficou sentado com os irmãos em um banco enquanto a Sra. Petre fora a lanchonete comprar alguma coisa para enganar o estômago com o pouco de dinheiro que sobrara. Pareceu por um momento que todos começaram a encarar a mulher com olhares tortos (pior do que quando passaram pelo cortiço), até mesmo do vendedor da lanchonete que, pensou ser mais uma mendiga que veio lhe pedir algo que comer.
Os garotos disfarçaram o estômago e as horas pareciam não passar. As maletas foram etiquetadas e recolhidas a um canto pelo coletor de bilhetes. O sol ficava cada vez mais quente e a rodoviária mais cheia e abafada. De longe um velho de cabelos brancos, iguais a tufos de algodão berrou pelo megafone, e apitou duas vezes com o apito que carregava pendurado sob o pescoço anunciando que o ônibus se aproximava da plataforma.
- O ônibus... – disse Eduardo eufórico, levantando-se do banco. – É imenso...
- Vem pra cá, Edu – retorquiu a Sra. Petre com rispidez.
- Vamos para a Rodoviária. Talvez cheguemos a tempo para pegar o ônibus do meio-dia.
Eduardo fez uma careta.
- Estou com fome.
Raquel lhe dera um tapinha no pescoço.
- Você não tomou o café tudinho porque não quis!
- Parem de brigar – vociferou Hugo, pegando a mão de Raquel.
A garota se levantou e agarrou a mão do irmão e a Sra. Petre começou a caminhar. As pessoas que passavam pela rua encaravam a família, olhavam dos pés à cabeça as vestes da Sra. Petre e a calça pescando de Eduardo que, tentava tampá-la, abaixando a maleta. A família ia se afastando da casa, entrando na primeira travessa do lado esquerdo da rua principal. Passaram por um cortiço onde velhas mexeriqueiras do alto das varandas davam gargalhadas e a Sra. Petre sentia-se cada vez mais estranha naquele lugar (talvez as velhas pensassem que aquela seria mais uma família sem rumo que pretendia morar na vizinhança ou coisa parecida) pelo fato de estar segurando uma maleta. Hugo nem lhes deu atenção, seguindo com Raquel pela travessa de paralelepípedos.
Depois de andarem por cerca de vinte e cinco minutos até a rodoviária a Sra. Petre – com os filhos a sua volta – parou diante de uma cabine onde vendia-se passagens para o destino que os filhos e ela tomariam a partir dali. E pediu ao vendedor:
- Quatro passagens, por favor.
Ela viu o vendedor do alto cortar quatro bilhetes. Olhou para o homem magricela de cabelos amarelo-tostado e abaixou a cabeça.
- Aqui está senhora – falou o vendedor, dando os bilhetes com uma mão e com a outra puxando o dinheiro das mãos da mulher.
Ao encontrar os olhos negros do vendedor, a Sra. Petre falou:
- Hmmm... obrigada, senhor.
- De nada – disse o vendedor começando a palitar os dentes amarelados e meio tortos.
Hugo segurou novamente a maleta que carregava, e apertou fortemente a mão da irmã. Eduardo parou diante da mãe: estava verde de fome.
Quando se virou, com os bilhetes ainda na mão, a Sra. Petre agarrou Eduardo e foi-se com Hugo e Raquel logo atrás para a plataforma baixa e espaçosa que estava começando a ficar cheia de pessoas, uma mais diferente que a outra; nunca na vida Raquel vira tantos rostos em um só lugar. Hugo ficou sentado com os irmãos em um banco enquanto a Sra. Petre fora a lanchonete comprar alguma coisa para enganar o estômago com o pouco de dinheiro que sobrara. Pareceu por um momento que todos começaram a encarar a mulher com olhares tortos (pior do que quando passaram pelo cortiço), até mesmo do vendedor da lanchonete que, pensou ser mais uma mendiga que veio lhe pedir algo que comer.
Os garotos disfarçaram o estômago e as horas pareciam não passar. As maletas foram etiquetadas e recolhidas a um canto pelo coletor de bilhetes. O sol ficava cada vez mais quente e a rodoviária mais cheia e abafada. De longe um velho de cabelos brancos, iguais a tufos de algodão berrou pelo megafone, e apitou duas vezes com o apito que carregava pendurado sob o pescoço anunciando que o ônibus se aproximava da plataforma.
- O ônibus... – disse Eduardo eufórico, levantando-se do banco. – É imenso...
- Vem pra cá, Edu – retorquiu a Sra. Petre com rispidez.
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